Numa atividade em sala, a professora pergunta: Qual personagem de conto de fadas vocês querem ser? E uma aluna responde: Branca de Neve. Então a professora pergunta: Por que? A aluna responde: Ela é linda e tem um príncipe que a ama, com cavalos, castelos, e ela tem um final feliz. A professora então, resolve fazer a mesma pergunta para uma outra aluna, e ela responde: Eu queria ser a Rapunzel. Porque ela é linda e tem um príncipe que lutou por ela, e ela mora em um castelo gigante, o mais bonito de todos. A professora então, vira-se para uma menina especial e pergunta: E você, qual você quer ser? A menina então lhe responde: Eu quero ser a princesa Fiona, do Shrek. A professora, impressionada com a resposta da menina, pergunta: Mas por quê? Você não quer ser a Cindera ou outra mais bonita? Então a menina responde: Não. A Fiona é a mais bonita. Ela se aceita como ela é, diferente de todos como eu, pra viver com quem ela realmente ama e que também ama ela de verdade. Ela tem um burro que fala, isso não é mais legal do que cavalos tia? Veja só, ela é feliz e não precisa de castelos e de nenhum homem bonito por fora. Eu queria um Shrek pra mim. Queria que alguém me aceitasse por quem eu sou. E ele me ensinou que não preciso ser perfeita pra ter um final feliz.
{} […] Sabe eu ando estranha, “eu não estou eu”. Só estou ai andando, vivendo, acho que estou cansada de tudo, estou querendo mudar e só me falta fazer tudo que quero, ter menos medo - talvez isso me impessa de tudo - tenho que voltar a ser eu, o eu que era antes - de te conhecer - sem medo das pessoas, digo, sem medo de ser eu, de me mostrar como verdadeiramente sou sem se importar com os outros, eu era assim. Dá pra acreditar ? […] Agora tudo está mudado, inclusive eu. Não me reconheço mais como antes e não sei se amadureci ou cresci acho que só vivi e não aprendi nada com essa dor. “Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.”